domingo, 7 de agosto de 2016

Capítulo 14 - A Verdade por trás da Fantasia da Pornografia [Livro de Shelley Lubben]

Uma Confissão

Ato IV

Dois Mundos se Colidem

XIV

Uma Confissão

POOF, ele está aqui!

Capítulo Quatorze

Eu estava tão entediada. Eu não tinha carro. Eu não podia dirigir em

qualquer lugar e eu estava cansada de pedir aos titios que me levassem

por aí. Eles não conseguiam manter suas mãos longe de mim. Eu estava

tão farta de homens.

Durante o meu tempo em "off" eu retirei os meus livros de Nova Era e

pratiquei minhas técnicas psíquicas. Eu percebi que Deus estava

tentando falar comigo então eu deveria tentar ir para o outro lado. Pelo

menos era o que a “voz” me dizia.

Eu acreditava em Jesus e em Deus e me lembrava de quando Jesus me

disse que eu era especial. Eu tinha apenas seis anos de idade, mas eu

nunca me esqueci da visão que tive de mim quando me vi pregando

para uma multidão de milhares de pessoas. Talvez houvesse ainda uma

possibilidade? Quero dizer, Ele tinha acabado de salvar a minha vida de

um acidente de carro que teria sido fatal.

Eu fiquei realmente boa em meus poderes. Eu praticava isso o dia todo

enquanto estava sentada no chão rodeada de velas brancas. Eu amava

velas. É claro que eu amava, eu era uma criatura das trevas! No início, a

voz parecia amigável e eu tinha certeza de que o Espírito Santo estava

falando comigo. O Conselheiro do tabuleiro Ouija disse-me que meu

espírito guia era Jesus Cristo. Ele também me disse que eu era uma

escolhida e que eu havia recebido grandes poderes de cura. É claro que

meu ego adorava ouvir o quanto eu era especial.

Em questões de mente e em matéria de manipulação de energia, eu

usei meus poderes para tudo. Se eu queria que o telefone tocasse,

POOF tocava. Se eu quisesse que cortina se movesse, POOF se movia.

Eu estava movendo e manipulando coisas a torto e a direita. Na

verdade, eu mesma movi (POOF) minha filha de quatro anos que caiu

do outro lado do quarto! Tudo do mundo psíquico vinha muito fácil até

mim. Claro, eu já era uma grande manipuladora.

Após cerca de seis semanas trancada em um mundo de Nova Era, eu

finalmente tive o meu carro de volta e queria mexer com as mentes das

pessoas. Eu também estava com pouco dinheiro e precisava conseguir

algum. Acabei em um bar em Covina, onde algumas bandas estavam

tocando.

Eu estava cuidando dos meus negócios até que alguém no bar tocou o

meu ombro. Virei-me para ver um cara alto Americano com cara de

quem foi criado à base de torta de maçã que me perguntou se eu queria

jogar bilhar.

Eu calmamente respondi: “Por bebidas, com certeza.”

Eu sabia que podia vencê-lo. Ele obviamente não sabia com quem

estava mexendo. Ele era apenas um menino para mim. Ele não parecia

ter idade superior a 23 anos.

Provavelmente mora com os pais, pensei.

Quando ele apareceu e acumulou as bolas com força dentro em um

minuto, comecei a me preocupar. Esse cara não era um estranho para a

mesa de bilhar. A vigarista em mim rapidamente se levantou. Eu não

sabia perder, e certamente eu não estava a fim de perder para esse

cara. Foi quando comecei a usar meus poderes de POOF.

“POOF!” Eu disse enquanto apontei minhas mãos para seu taco. Ele

olhou para mim como se eu fosse louca, riu, e fez o tiro perfeitamente.

Esse cara não tinha sido ainda incomodado por qualquer um dos meus

POOFS. Eu bebi um gole de Bacardi e recorri a outros meios de

manipulação: Eu puxei meu top para baixo. Foi quando ele perdeu a

tacada.

Quando acabamos as tacadas Kamikaze - nele, é claro. Foi quando ele

me pediu para jogar dardos. Ok, dardos são para nerds. Mas eu estava

entediada, ele me ofereceu bebidas grátis, e além disso, ele era um cara

legal. Ele não queria conversar com meus seios.

Aquilo era diferente.

Como ele estava compartilhando informações pessoais, o que eu nunca

tinha visto antes, eu percebi com o canto do meu olho que eu batia de

frente com seus grandes olhos azuis todas as vezes! Esse cara era um

vigarista ou algo assim. Ele me intrigou. Mas é claro que eu não estava

interessada em amor ou qualquer coisa. Eu estava interessada em suas

habilidades e especialmente em sua carteira. Talvez por trás desse cara

esperto houvesse um cara rico. Uma prostituta doente poderia ao

menos sonhar.

Alto, loiro e não muito bonito, ele tinha apenas 22 anos e trabalhava

em uma fábrica de caixas Ok, ele não tem dinheiro.

Esqueça, eu disse a mim mesma.

“Ei, qual é o seu telefone?” Ele me perguntou.

“Hum, eu não namoro de graça. Eu sou uma stripper. Somente com

dinheiro.” Meus olhos zeraram em seu bolso. Ele percebeu que tudo

envolveria dinheiro e por isso mentiu e disse que precisava de uma

stripper para uma despedida de solteiro.

“Certo”, eu disse a ele. “Este menino, provavelmente, irá mijar nas

calças se alguma vez ver uma mulher nua”, e ri. Eu lhe entreguei meu

cartão apenas para o caso de ele realmente precisar de uma stripper.

“Trezentos por hora, docinho. Te vejo”, e eu saí de sua vida para

sempre.

Uma semana depois o telefone tocou.

Deus, eu espero que não seja alguém da indústria pornô, eu me

preocupei.

Eu atendi ao telefone com um falso sotaque Inglês, “Ra-lo”

“Ei, Giovanni, você quer jogar sinuca esta noite?”

“Quem é?” Eu perguntei irritada com sotaque Inglês.

“Aqui é o Gary. Nós nos encontramos no bar algumas semanas atrás.”

Ok, eu tinha que pensar sobre que era esse um. Em todos os lugares

que eu ia, eu conhecia caras. Parei um segundo para tentar lembrar. Ok,

eu desisto.

“Não, eu não me lembro de você.” Voltei para a minha voz normal.

“Eu sou o cara que jogou sinuca e dardos com você.”

“Ohhh, ok eu acho que lembro de você. Hum, bem, é nite de sexta-feira.

Eu tenho que trabalhar esta noite.”

“Eu também tenho que trabalhar”, disse ele. “Eu só pensei que

poderíamos nos encontrar algumas horas antes de eu ir para o

trabalho às 22:00hs.”

“Não, não nesta noite, mas obrigada.” E desliguei o telefone. Eu não

tenho tempo para meninos. Eu precisava fazer algum dinheiro.

Mas o cara continuou me ligando! Durante o próximo mês eu disse a

ele “Não, obrigada” repetidamente e que eu precisava trabalhar. Quero

dizer, ele poderia ter me oferecido dinheiro. Dei indiretas o bastante.

Finalmente, em outra noite de sexta ele me ligou novamente. Desta vez

eu estava sentada sozinha em casa cansada de tentar pensar se eu

estava oficialmente de volta na prostituição ou não. Eu odiava o strip.

Eu odiava a prostituição. Talvez esse cara tenha me ligado na noite

certa!

“Ok, eu vou jogar sinuca com você, mas você compra as bebidas” Eu

disse-lhe sem rodeios. Achei que iria, pelo menos, tirar algo de ele. Sem

dizer que talvez fizesse alguns “negócios” no bar. Eu poderia puxar um

cliente em qualquer lugar.

“Claro, até breve!” Ele parecia um tonto menino de escola.

Onde eu tenho me metido, pensei.

Nós nos encontramos no bar e o cara me surpreendeu totalmente

naquela noite. Ele não apenas dirigia como um demônio veloz, mas ele

caminhou pelas bordas da mesa de sinuca com velocidade.

“P**M**!” Exclamei. “Onde diabos você conseguiu toda essa

metanfetamina?” Eu olhei para aquela cara dele de torta de maçã em

estado de choque. “Eu sempre tenho isso. Você quer voar?”

Bem, é claro que eu gostaria de voar, pensei. Eu perdi o embalo. A

indústria pornô foi o meu fornecedor de drogas por um tempo.

Uau! Pensei. Este poderia ser o início de um belo relacionamento de

longa duração.

Se ao menos eu soubesse.

Gary começou a vir mais com a sua metanfetamina. Nós cheiramos. Nós

conversamos. Ficamos acordados a noite toda e rimos. Ele era

realmente um bom garoto. Ele nunca tentou me tocar uma única vez.

Uma prostituta usada poderia se acostumar com isso, pensei.

Uma noite, ele trouxe jogo de damas.

“Um, para quê são os jogos de damas?” Eu disse com um olhar

engraçado.

“Eles são para se jogar, são bobagem.”

“Hum, eu não quero jogar damas.” Ele riu e definiu o jogo. Quando ele

disse que poderia me vencer em qualquer jogo, foi quando ele apertou

o botão direito. Eu era extremamente competitiva sem mencionar que

era uma louca por ter o controle principal. Ninguém se atreveu a um

jogo comigo e ganhou. Ninguém!

O miserável me venceu. Eu o odiava. É claro que eu queria jogar

novamente e novamente e novamente. De jeito nenhum eu poderia

deixar esse cara ganhar.

Jogamos Gin Rummy 5, Card Stud Poker, Texas Hold, e muito mais. Nós

apenas jogamos jogos. Havia anos que eu não jogava jogos com

ninguém.

Eu ainda não tinha contado a Gary sobre meu passado ou mesmo meu

horrível presente.

Eu estava esperando que nós pudéssemos apenas ficar no “jogo” e

apenas amigos por um tempo. Mas uma noite ele veio à minha casa e

me viu autografando uma foto para os guardas de segurança.

“O que é isso?” Perguntou ele.

“Bem, hum, eu era uma atriz pornô.”

“Ah, ok.” Ele simplesmente entrou em casa e montou o jogo de damas.

Isso foi estranho.

Eu marchei direto para dentro de casa e deixei escapar: “Você não sabe

que tipo de mulher eu sou? Eu sou uma vadia, uma prostituta, uma

stripper e eu trabalhava em filmes pornô!”

Afetado ele me perguntou: “Como você começou no strip?”

Eu não podia acreditar. A maioria dos homens teria me pedido para

fazer sexo imediatamente. Não o Gary. Ele realmente queria saber o

que tinha acontecido comigo. Então, eu disse a ele que fui expulsa de

casa aos 18 e acabei nas ruas de San Fernando Valley. Eu disse-lhe que

um cafetão me atraiu e me ofereceu dinheiro quando eu estava semteto.

Ele ficou chocado, ficou atordoado com a minha história trágica.

Todo o seu rosto mudou e ele estendeu sua mão para segurar a minha.

“Shelley, isso que aconteceu com você é terrível.” Pensei que ia

vomitar.

Oh droga, eu pensava. Esse cara realmente se preocupa comigo. Eu

puxei minha mão de volta.

Nervosa, eu rapidamente mudei de assunto e perguntei-lhe como ele se

envolveu com drogas.

“Papai e mamãe eram pastores.”

O quê? Pensei. Gary é filhinho de um pastor?

“Sim, meu pai traiu a minha mãe com a secretária da igreja quando eu

tinha 17 anos. Nossa casa nunca mais foi a mesma. Meu pai tornou-se

um marinheiro alcoólatra, o que desestruturou minha família. Eu

comecei a usar drogas quando tinha 20 anos de idade.”

“Você só está usando drogas há dois anos?”

“Sim”.

Oh, pensei. Esse cara é maduro. Gostaria de saber se ele ainda vivia

com a mamãe e o papai.

“Onde você mora?" Eu perguntei.

“Eu moro com meus pais em Chino.”

Oh droga, eu estava certa, pensei. Ele vive com seus pais.

Eu não podia acreditar que tinha deixado um inocente filhinho de

pastor entrar em minha vida.

Como eu não vi isso? Como eu não percebi isso? Eu comecei a pirar. Os

demônios em mim não estavam felizes.

“Shelley, você acredita em Deus?”

Maldição, ele quer falar sobre Deus. Eu tive uma sensação terrível de

ser encurralada.

“Claro que eu acredito em Deus. Fui criada na Escola Dominical quando

eu era uma garotinha.” “Algo” dentro de mim acendeu, porque eu

passei os próximos 15 minutos falando e falando sobre Deus.

Provavelmente era a rapidez do tempo.

“E então eu estava em uma peça da Igreja chamada, 'O Peregrino' e eu

encenei o Fiel, o peregrino, que é amigo de Cristão na Cidade da

Destruição.”

“Uau, eu conheço essa história. Você encenou Fiel?” Perguntou ele.

“Sim, e eu mesma memorizei o alfabeto de trás para frente quando

cantei a canção de Z a A. Na verdade, Deus me disse quando eu tinha

nove anos que o cara com quem eu me casaria um dia, seria capaz de

dizer o alfabeto de trás para frente o mais rápido que pudesse.”

Sem hesitar, ele disse:

“ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA.”

Nós dois apenas olhamos um para o outro.

Furiosa, levantei-me e disse-lhe para sair.

Eu nunca queria vê-lo novamente. Corri para o meu quarto no andar de

cima freneticamente e olhei para o meu reflexo no espelho buscando

algumas respostas.

Vamos lá, Shelley, use suas habilidades psíquicas.



POOF, ELE ESTÁ AQUI!

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