domingo, 7 de agosto de 2016

Capítulo 15 - A Verdade por trás da Fantasia da Pornografia [Livro de Shelley Lubben]

XV

Uma Confissão

Invadida pelo Amor

Capítulo Quinze

Sob nenhuma circunstância eu me casaria com ele. Anos e anos de dor

enterrada e protegida pela parede sólida de pedra em torno de meu

coração negro, eu era impenetrável.

Joguei o pensamento sobre Gary fora de minha mente e corri de volta

às mentiras e uma mente doentia, o mundo escuro e familiar onde eu

me sentia segura: um mundo sem amor e sem luz. Eu desliguei meu

celular e fechei as cortinas rasgadas. Eu não teria nada a ver com ele.

Subi para tomar um banho para me lavar de tudo que Gary tivesse

depositado sobre mim. O fluxo de água quente em minha face, e

lágrimas que escorriam dos meus olhos. Eu o perdi.

A voz baixa sibilou para mim, “Nós não precisamos dele. Tire-o de sua

mente. Lembra-se de sua garrafa de Jack Daniels que está no

banheiro?”

Eu peguei a garrafa e bebi. A sensação de calor lavou meu corpo e eu

caí na cama desgastada. Enfiei meu rosto no travesseiro, e chorei para

dormir.

“Mamãe, você está bem?” Uma pequena voz me acordou.

“Ei querida, mamãe acabou de tirar uma soneca. O que você quer?” Eu

disse enquanto esfregava os olhos. “Há um homem na porta com uma

caixa.” “O que?” Eu estava irritada. Era provavelmente um dos meus

titios quebrando as regras novamente. Eles sabiam fazer isso e

aparecer sem avisar.

Idiotas.

Meio bêbada e zangada, eu fui lá embaixo e abri a porta gritando: “O

que você está fazendo aqui?” A voz por trás da caixa respondeu: “Eu lhe

trouxe uma caixa com panos. Eu vim para limpar sua casa.”

Meu queixo caiu.

Gary entrou direto em meu mundo até a mesa onde depositou uma

caixa de toalhas brancas dobradas. Ele olhou e sorriu para mim com

um pano na mão, enquanto eu ficava lá olhando.

“Shelley, me sinti mal por você. Sua casa é realmente uma bagunça.

Você precisa de alguém para cuidar de você.”

Então ele sumiu virando o corredor e de repente eu ouvi água corrente.

Senti um golpe terrível em meu peito. A dor irradiava pela minha

espinha através do meu pescoço até meu rosto e maxilares. Sentei-me

no sofá e peguei um cigarro do cinzeiro. Tentando freneticamente

acendê-lo, eu engasguei com a fumaça em meus pulmões arejados.

Eu não posso fazer isso, pensei enquanto a fumaça cinza explodiua fora

de mim. Balançando para frente e para trás em meu sofá com os braços

cruzados em volta de mim, um sentimento terrível tomou conta de

mim. Preciso de ar, pensei.

Caminhei até a varanda olhando em volta buscando qualquer coisa que

fizesse sentido. Não havia nenhum conforto. Não havia maneira de sair

desta dor horrível. Eu não conseguia respirar.

“Shelley, você está bem?” Uma figura além da fumaça veio em minha

direção.

Era Gary. Recuei. Eu estava com muito medo dele.

“Fique aí. Eu não me sinto à vontade.”

“Shelley, sou apenas eu, Gary. Eu não quero te machucar. Por favor...”

“Não! Afaste-se.” Fiz uma careta, joguei meu cigarro no chão e pisei

nele.

Corri para cima até meu quarto, tranquei a porta e me escondi sob os

lençóis da cama.

Tremendo e assustada com a dor intensa, clamei a Deus: “Deus, leve

isso embora. Por favor Deus, leve embora.” As vozes começaram a

gritar comigo:

Prostituta estúpida. Ninguém nunca vai te amar. Ele vai usá-la e ferir

você como todos os outros fizeram. Fique longe dele!

Outra Voz interrompia: “Shelley, aquiete-se e Me conheça. Gary foi

enviado por Mim para ajudá-la. É tempo.”

“Tempo? Para quê?” Eu perguntei a Voz. Esperei uma resposta, mas

houve silêncio. Até mesmo as outras vozes se foram.

Sentei-me e olhei no espelho para a mulher feia que olhava para mim.

Extensões de cabelo loiro saindo de minhas raízes escuras com círculos

escuros sob meus olhos, eu era um desastre horrível. Como Gary podia

até querer estar perto dessa bagunça?

Ele me deixaria, eu sabia apenas disso. Eu tinha que me proteger. Eu

coloquei minha cara de falsa e agi como se não me importasse. Desci

pelas escadas para acabar com tudo aquilo.

“Gary, eu...”

Ele virou-se com o sorriso mais angelical e uma cozinha perfeitamente

brilhante atrás dele.

“Sim?”

Eu fiquei sem palavras. Meu coração derreteu e o mal dentro de mim

recuou. Ele caminhou na minha direção, tocou meu rosto e me beijou

suavemente. Um beijo suave lento e caloroso, eu queria comer seus

lábios. Eu não tinha sido beijada suavemente por um homem em anos.

Nosso lindo beijo terminou e eu enterrei minha cabeça em seu peito e

chorei amargamente. Lágrimas enormes de anos quebrados jorraram

de meus olhos e a dor forte de ira, rejeição e ódio levantaram-se do

interior. Eu o empurrei violentamente e puxei meu cabelo.

“Eu te odeio! Odeio vocês!” Eu peguei o telefone e joguei nele. Eu joguei

a lata de lixo. Eu dei um soco no sofá. Eu cuspi. Eu bati. Eu chutei. Eu os

odiava!

“Eu odeio vocês! Eu odeio os homens! Eu odeio todos vocês! Vá para o

inferno f*** seus perdedores!” Eu arremessei minha concha do outro

lado da sala. Gary ficou chocado, mas manteve-se firme.

“Fique longe de mim! F***você!” Eu gritava violentamente para ele. O

mal dentro de mim era tão loucamente furioso que tudo desabou

dentro de mim.

“F*** seu perdedor. Seu mentiroso. Eu odeio você. Fique longe de

mim!”

Peguei uma faca de cozinha e ferozmente apontei para ele.

Apontando para ele cheia de raiva, eu lhe disse para dar o fora e ficar

fora para sempre.

“Inferno! Fique longe de mim, AGORA!” Selvagens fios de cabelo

descoloridos caiam em meu rosto, e eu respirava como um animal

feroz.

“Shelley, eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu não vou desistir de você.”

A faca escorregou da minha mão.

Meu corpo caiu no chão e eu chorei.

Seu amor avassalador me crucificou. Aquilo entrou no próprio núcleo

de cada decepção que eu havia sofrido e fez o impensável: me deu

esperança. Pela primeira vez em mais de 17 anos eu me senti

esperança em meu coração.

Destruída maciçamente no chão, Gary me envolveu em seus braços e

orou de coração.

“Senhor, peço-lhe para curar Shelley; para curar todas as feridas do

topo da cabeça até a planta dos seus pés. Eu sei que Você pode fazê-lo,

Jesus. Em seu nome eu oro. Amém.”

Foi a oração que mudou minha vida para sempre.

Aquela que Deus ouviu e que o inferno ouviu também.



E a guerra pela minha vida começou.

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