domingo, 7 de agosto de 2016

Capítulo 16 - A Verdade por trás da Fantasia da Pornografia [Livro de Shelley Lubben]



XVI

Uma Confissão

mAdAlenA cASAndo

Capítulo Dezesseis

Um anel em forma de coração, eu disse sim. Eu não estava atraída por

ele. Eu realmente não o amava. Mas ele me amava. Era isso que

importava. Além disso, onde mais eu poderia encontrar um cara que

quizesse casar com uma estrela pornô com Herpes e uma filha?

“Shelley, por favor, case-se comigo. Deus me enviou a você.”

Deus sabe que eu sou uma vadia?

Dirigimos até Norwalk, Califórnia, em um dia de inverno rigoroso em

14 de fevereiro de 1995. Não houve casamento branco, apenas um

cinza nublado. Os passos frios do cartório eram o sonho de qualquer

menininha. Eu particularmente pensava que o cara sem-teto teria feito

uma menina feliz.

Como de costume, eu estava de mau humor naquele dia.

“Tem certeza de que não temos que agendar antes? Hoje está

provavelmente muito cheio.” Tentei pensar em maneiras de sair

daquilo. A realidade bateu em mim depois daquele primeiro beijo e eu

percebi que isso nunca iria funcionar.

“Não, não temos que agendar. Hoje é o Especial de Dia dos Namorados.

Eles estão ofertando casamentos o dia todo.”

Ótimo, o Especial de Dia dos Namorados, dããã que garota de sorte eu

sou, eu sarcasticamente pensava. Vestida em um vestido preto

estampado de floral, parecia que eu estava indo para um funeral. É, o

meu funeral, pensei.

Ficamos na fila e, em seguida, foi a nossa vez.

“Olá, posso verificar suas fotos da identidade?” Uma senhora por trás

de uma janela perguntou.

“Claro”, eu disse sem entusiasmo, enquanto lhe entreguei nossas

identidades e o formulário. Dessa vez eu era a da foto é claro.

“Quanto custa uma certidão de casamento?” Eu perguntei emburrada

com um olhar de nojo no rosto.

“Isso custa 35 dólares, por favor.”

Engasguei com minha saliva.

“Espere, quanto que você disse?”

“Isso custa 35 dólares, por favor.”

P***, eu pensei. Isso é o quanto eu tive que pagar para minha primeira

audição!

Então uma voz falou ao meu coração, “Trinta e cinco dólares para

entrar na indústria do sexo e trinta e cinco dólares para sair.”

Só Deus poderia saber isso.

Baixei a cabeça e olhei para os meus sapatos rasgados.

Deus poderia realmente me resgatar? Eu estava tão suja e indigna.

Gary pegou minha mão e me levou lá em cima até um salão branco e

brilhante onde outros casais esperavam contra a parede para o seu

número ser chamado. Eu parei e olhei para a parede contemplando a

enorme decisão de vida diante de mim. Vozes malignas tentaram me

tirar dali. Gary viu minha dificuldade e apertou minha mão firmemente

e disse: “Você consegue fazer isso, Shelley.”

“Eu não consigo fazer isso, Gary. Eu não consigo.” Eu me encolhi sob

minha respiração e virei meu rosto pálido para a parede branca. Gary

colocou os braços ao redor de mim por trás e sussurrou suavemente:

“Você consegue fazer isso Shelley, Deus está conosco.”

As vozes em minha cabeça argumentaram "Você está muito doente. Ele

vai deixar você. Ele não sabe que você está doente. Quando ele descobrir

sobre você, ele vai te deixar. Rápido, corra agora!”

Uma sensação terrível de doença tomou conta de mim e eu me senti

arrasada. As vozes estavam certas. Gary não sabia com o quê iria se

casar. Ele não sabia sobre a minha doença misturada ao abuso sexual.

Ele não sabia quão péssimos meus vícios eram. Ele não sabia que eu

era uma manipuladora e uma mentirosa. Ele não me conhecia

realmente. Ele não tinha noção do poderoso rombo que Satanás tinha

feito em minha vida. Era uma guerra para qual ele não estava

preparado.

“Gary, não podemos fazer isso. Não é justo com você. Eu não sou quem

você pensa que eu sou. Eu sou muito pior. Eu tenho tantos demônios.

Eu irei machucá-lo.”

“Shelley, você nunca poderá me machucar. Eu te amo. Deus está

conosco.”

“Eu não posso”, eu insisti enquanto puxei sua camisa e enterrei meu

rosto em seu peito.

Uma voz saiu da sala, “Número 15.”

Chamaram o nosso número. Eu olhei para Gary com medo em meus

olhos. Se ele não queria me ouvir, pelo menos, eu queria que ele

notasse o terror em meus olhos.

Ele pegou na minha mão com segurança e me levou até uma mulher

negra usando uma beca negra. Era um sinal, eu sabia disso. Olhei para

ele com medo de novo. Seus gentis olhos azuis sorriram de volta para

mim.

Repetimos os nossos votos ou devo dizer Gary repetiu. Eu estava

congelada em estado de choque. Só me lembro de dizer: “eu aceito”. Eu

aceito? Eu nem tinha uma vontade. Eu só tinha morte e destruição.

Saímos do prédio branco com as nuvens escuras e uma chuva

torrencial. Gary interrompeu a tempestade e me perguntou se eu

queria um hambúrguer na porta ao lado no Wendy. Eu balancei minha

cabeça negativamente em desgosto. Eu não gostava de comer carne.

A mente doentia se levantou em mim e eu repeli Gary com meu pedido

bizarro para se apressar e consumar logo o casamento. Era ritualístico

para mim. Ele me disse para, por favor, aguardar até que ele voltasse

para casa do trabalho. Ele queria me levar para um romântico jantar e

celebrar. Eu queria sexo sem sentimento frio e duro. Eu queria a odiálo

de qualquer forma.

Eu tive o que eu queria. Depois que terminamos, eu empurrei ele de

cima de mim e disse-lhe que queria o divórcio.

“Fique longe de mim! Eu quero o divórcio! Eu odeio você. Você não é

nada, além de um porco!” Dor e Abuso ergueram suas cabeças feias e

ameaçaram jogar alguma coisa nele. Ele imediatamente colocou suas

roupas e saiu. Seu semblante estava tão ferido. Eu sabia que tinha

machucado ele. Bom, eu odiava homens.

O mal em mim ficou satisfeito e nós comemoramos mais um fracasso

em minha vida com a nossa garrafa favorita de alívio: Jack Daniels.

Ele teria me deixado de qualquer maneira, eu tentei tranquilizar-me

com salpicos de Jack em minha garganta. Mas por que eu tenho uma

terrível sensação de que perdi a coisa mais importante de minha vida?

Eu me senti doente. Eu queria vomitar.

Oh Deus, eu pensei. O que eu fiz?

Eu queria morrer. A carga emocional era demais para mim e eu acabei

com mais uma garrafa de Jack. Eu coloquei no chão, segurando e

acariciando a minha garrafa. Ela era minha única amiga de confiança,

Jack.

Bêbada, adormeci.

“Shelley, Shelley, acorde.” Abri os olhos com um belo bouquet de rosas

vermelhas com um grande arco branco pendurado em minha cara.

“Hã?” Eu tentei me sentar.

“Eu te amo. Feliz dia de Casados querida,” disse Gary enquanto se

inclinou e beijou minha boca cheirando a Jack Daniels. Eu me senti tão

grosseira e indigna.

Eu lentamente agradeci e disse a ele que não queria sair para jantar. Eu

me sentia horrível por meu comportamento terrível e chorando me

desculpei. Ele colocou meu cabelo para o lado e beijou minha

bochecha.

“Está tudo bem, querida. Eu sei que você está machucada gravemente.

Estou aqui para você.”

Eu enterrei minha cabeça em seu peito forte e gemi. Ninguém jamais

me amou em minha vida como Gary me amou. Ninguém. Eu nunca tive

amor de uma mãe. Eu nunca tive amor de um pai. Eu só conhecia a dor

e o abuso desde quando era uma criança pequena. Eu enterrei minhas

unhas profundamente em sua pele e apertei-lhe com cada gota de dor

que eu tinha dentro de mim. Ele era a minha Cruz gigante, alguém que

poderia tomar a minha dor e me deixar pregada.

E ser pregada foi difícil. Golpeei-lhe com cada mentira poderosa, com

expressões de raiva e ódio, vulgaridades e maldades e ele suportou

isso. Ele tomou a dor insuportável por mim.

Ele se tornou Cristo para mim e eu me tornei sua prostituta

arrependida, como a mulher pecadora com sete demônios. Só que eu

tinha mais de sete. Eu tinha legiões.

Olhos pretos dilatados e um sorriso maligno contra o seu peito, que o



exorcismo começasse.

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